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It's now or never

Fico pensando em todos que vêm e todos que vão.
A permanência não é meu ponto preferido, não.
Gosto das chegadas, mas mais ainda das partidas.
São nestes momentos que perdemos o fôlego, lançamos sonhos e ideias para o dia de amanhã, criamos histórias, que podem acontecer, ou não.
Não me importo mais com o "se" ou com o "não".
Gosto de ficar sem ar. Talvez este seja o motivo de tantas crises asmáticas na infância.
Sim, eu gosto. De sentir a respiração falhar, a perna tremer, o coração pular, o estômago se contorcer.
Borboletas no estômago, pássaros engaiolados no peito.
Daqui dois meses, chegarei nos temidos 30. Àqueles que tentei me preparar, tentei fazer um plano, uma lista, tentei emagrecer, tentei criar uma rotina disciplinada de exercícios para virar a década com tudo em cima. Vou chegar lá, com tudo em cima, sim. Mas, principalmente, comigo mesma. Estou em mais um momento daqueles, "daqueles", no qual tudo parece ser possível porque eu sei que farei ser.
Conexões são feitas, insights piscam a todo momento.
Músicas antigas fazem mais sentido do que nunca. Pessoas fazem mais sentido do que nunca. Eu faço mais sentido do que nunca.
Todos vêm e todos vão. Eu também irei. Está quase.


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